Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

08.09.22

Será que é só a mim?


The Travellight World

banking-as-a-service-ou-banco-digital-sopn0gbtjj39

Será que é só a mim que incomoda um certo anuncio de uma certa instituição financeira especializada em crédito ao consumo que recrutou professores primários reformados para nos ensinarem que fazer um crédito 100% digital é tão simples como o ensino básico?

Talvez seja porque sou desconfiada por natureza ou talvez seja porque cresci numa época em que o banco tradicional era o principal, se não o único, intermediário entre o consumidor e o seu dinheiro, mas acho estranho a facilidade com que hoje se oferece o crédito ao consumo. Principalmente numa época em que tantos passam por dificuldades e são tentados a dar “um passo maior que a perna” sem ponderar devidamente os custos futuros que isso pode acarretar.

Devo estar mesmo ultrapassada, mas fiquei de boca aberta quando, há poucas semanas, li um artigo da revista Exame sobre o Girabank, banco digital lançado no Brasil em junho deste ano pelo humorista e influenciador Carlinhos Maia. Com mais de 26 milhões de seguidores, Maia mobilizou a abertura de 330 mil contas no dia de lançamento do novo banco e em pouco mais de um mês, já tinha 1.1 milhão de contas abertas.

Portanto, parece que é cada vez mais normal e fácil que empresas não-financeiras passem a oferecer serviços, designados por BaaS (banking as a service) ou embedded finance (finanças incorporadas), aos seus clientes. Sei que já é comum ver BaaS  em lojas, principalmente as que vendem móveis e eletrodomésticos, mas abrir conta num banco de um influenciador que posso seguir no Instagram é (para mim) novidade total.

Se antes a cadeia era formada por apenas dois atores: bancos e clientes, o novo ecossistema tem pelo menos três participantes: o cliente final, as marcas com quem ele mantém relacionamento e que serão as novas provedoras dos serviços bancários, e as fintechs  — empresas que utilizam tecnologia para criar novas soluções de produtos e serviços para o mercado financeiro.

O fenómeno parece que é mundial e as possibilidades são inúmeras, em setores óbvios e não-óbvios, como é o caso do Carlinhos Maia, que não tinha uma empresa e funciona ele próprio como a marca do serviço.

Aceito que a desconcentração bancária possa ser algo de positivo, assim como a desburocratização do processo de crédito, mas é preciso ficar atento às práticas abusivas e impedir que a população mais vulnerável, atraída por facilidades, caia numa armadilha, contraindo dívidas que depois não consegue pagar.

10 comentários

Comentar post