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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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30.03.21

Somos tão Pequeninos...


Robinson Kanes

jo-anne-mcarthur-YmyD-gq6x1A-unsplash.jpgCréditos: Jo-Anne McArthur / Unsplash

 

 

 

Por estes dias, o caríssimo Pedro Correia observou o facto de andarmos sempre a dizer que somos pequeninos quando falamos do nosso solo. Concordo com a visão de que não somos assim tão pequenos, sobretudo se contarmos com o Atlântico. Reconheço, no entanto, que o facto de sermos mais pequenos que algumas províncias em Espanha também nos deve dar tal impressão, já para não falar que em tempos dominámos territórios como o Brasil, Angola e Moçambique...

 

Mas é inegável que continuamos muito pequeninos em tantos outros campos... Continuamos pequeninos quando renegamos (gozamos e até nos envergonhamos) as nossas tradições e a nossa etnografia - mas quando alguém transforma isso num must e até em algo vendável, eis que saímos todos à rua a criticar essa alma iluminada que nos roubou o que é tão orgulhosamente nosso! Concordo que o episódio das camisolas poveiras foi um erro, não obstante, demonstrou como somos pequenos e a reboque disso lá vamos gastar uns milhões num advogado famoso de Nova Iorque para agradar às redes sociais enquanto cortamos em apoios sociais... Devemos ter vergonha de nós! Mais de 9 milhões nem sabia o que era uma "camisola poveira"! Isso sim é que me causa revolta...

 

Somos pequeninos quando um indivíduo é multado por comer gomas na rua ou até uma "sandocha" no carro (isto é verdade, não é humor) mas nem nos damos conta de quão estupidificados estamos quando alguém que investe milhões para ser visto se ri de nós enquanto goza férias no estrangeiro! Eu também as gozo e muitos outros, a diferença é que a maioria nem do Montijo a Alcochete pode ir quanto mais deslocar-se a Badajoz para ir comprar licor de bellota. E nós aplaudimos... Como aplaudimos que uma nação se vergue a um Chefe de Estado estrangeiro com um beija-mão, nação essa que paga os delírios (e ganhos) religiosos de quem a representa.

 

Somos tão pequeninos quando não damos conta que alguém igualmente pequeno (literalmente e não no sentido metafórico), e à semelhança de uma personagem que chegou a Presidente, todos os Domingos partilha informação de Estado na televisão sem que ninguém pergunte como é que este indivíduo tem acesso a esta informação, a anuncia antes de quem o deve e além disso nem exerce cargos públicos mas sim privados, fora o facto de ser Conselheiro de Estado - gentileza do seu mestre com origens familiares para os lados de Celorico, bem perto de Fafe.

 

Mas falando em Conselho de Estado... Eis que temos um Conselheiro de Estado em Portugal que além de ter um estranho tempo de antena nos meios de comunicação (o tal acesso fácil e máquina nos media que alguém do Bloco de Esquerda em tempos afirmou existir), debita falsidades e um discurso de ódio, inclusive contra instituições nas quais depois se infiltra como assalariado. É o mesmo Conselheiro de Estado que se ri com a fome (Ucrânia?) provocada por regimes comunistas que o próprio admira - volto a relembrar que é a própria União Europeia que coloca o comunismo ao nível do nazismo, só em Portugal a equação é diferente, sendo que o Comunismo, além de ser um partido de gente boa e de paz também tem direitos que os outros não têm... Tivesse sido outro alguém e já tinham derrubado a Torre de Belém ou incendiado o Paço dos Duques em Guimarães.

 

Se dúvidas existem, analisem o comportamento destes partidos nos períodos do confinamento e comparem com as restrições que muitos de nós tivemos de sofrer. Mexam a panela e retirem as conclusões devidas. Continuamos pequenos, alegres e sorrindo em casa... Afinal nada nos falta.

 

Finalmente, e já que falamos em sermos pequenos... Não é estranho aferir que, em pleno confinamento, milhões de portugueses a bater com a cabeça nas paredes se apercebam que afinal anda por aí uma elite que parece não ter restrições. Já mencionei um, mas esquecemos aqueles que por agruras da vida têm o azar de ter acidentes e damos connosco a pensar... Então mas... Pior que isso, são os outros que, na sede de serem vistos, rapidamente (estupidamente?) espalham que também passaram pelo local... As nossas auto-estradas ou nacionais, em tempos de confinamento parecem salas de concertos de fraca música ou cenários de televisão.

 

Depois não digam que não somos pequenos... Agora, na Europa, já só podemos gozar com os Búlgaros e mesmo aí temo que seja uma questão de tempo, até porque em questões culturais, já nem vale a pena entrarmos nesse campeonato.

 

Esperem... Afinal até somos grandes! Na corrupção, a pagar a má gestão de bancos e de companhias aéreas, aí ninguém nos bate! Afinal estou errado... Somos grandes.

 

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  • Para quem quiser ler: aquilo que faz Francisco Louçã rir desalmadamente, "Red Famine" de Anne Applebaum. Uma descrição das fomes impostas na Ucrânia (o "Holodomor" que muitos querem rasurar) durante o domínio soviético! Uma história que poucos infelizmente conhecem, que muitos teimam em ocultar e que muitos, por cá, não hesitariam em ver repetida.
  • Para quem quiser ouvir: estamos na época da Páscoa e não é possível deixar de lado a riquíssima e deslumbrante "Paixão Segundo São Mateus BWV 244" de Johann Sebastian Bach. Isto é viajar completamente para outra dimensão!
  • Para quem quiser ver: como os escândalos de pedofilia da Igreja parecem não ter grande relevância na actualidade nacional, deixo a pelicula de François Ozon, "Grâce à Dieu"... Que os espírito da Páscoa ilumine algumas almas! A demonstração da difícil luta contra muitas corporações que se movimentam como enguias quando o crime sexual mete crianças pelo meio.
  • Para quem quiser assistir: em Portugal fecham-nos as portas dos teatros, temos de ir a Espanha... Se passarem pelo Teatro Español em Madrid, assistam a "#Puertas Abiertas" de Emma Riverola. O terrorismo islâmico visto de uma forma única e sem tabus ou receios em falar de... Pode ser uma opção quando os teatros por cá se fecham e outros, quando abertos e tomados por algumas seitas, mais do que explorar a arte, procuram impingir-nos uma ideologia.

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