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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

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06.10.20

Speak English?


Robinson Kanes

urban.jpgImagem: Robinson Kanes

 

"E quanto mais vibrante é o pensamento, mais profundo o sentimento, mais ardente a vontade e mais rápida a acção - intensa é também a vida". A futilidade, a corrupção, a obscenidade, a ignorância, as modas - resultam de um ridículo governo de opressão: para que se não respire o ar amplo da liberdade, não pode haver ideias e sentimentos justos. O povo corrompe-se.

Raúl Brandão, in "El-Rei Junot"

 

 

Deveria estar eufórico, afinal celebrámos mais uma Dia da República e continuamos a testar a brilhante fórmula de viver numa Democracia Ditatorial e onde todos estão contentes, até aqueles que todos os anos têm o mesmo discurso... mas todos os dias parece que... Se Omar Al-Bashir, Nikurunziza, Kiir Mayardit ou até Wyin Mint souberem do que se passa, em breve é vê-los a comprar uma casa no Algarve ou na Comporta e a inscreverem-se numa pós-graduação desenhada à pressa naquelas universidades onde o ensino é tão bom que, sem frequentarmos as aulas ou até sem sequer lermos a bibliografia das cadeiras, é certo que em dias ficamos mais letrados e com um diploma na mão... É de rebolar na relva(s) de satisfação.

 

Já estou a imaginar estudos de caso a serem discutidos num mestrado onde se aprende a demitir, ou melhor, a não renovar o cargo a um presidente de um Tribunal de Contas ou até a um Procurador-Geral da República incómodos, melhor que isto, só a cadeira de Introdução à Corrupção onde Portugal ocupa mais de metade das sugestões de leitura. Um curso cheio de individualidades altamente apreciadas por Portugal, onde não faltarão Nicólas Maduro ou até Xin Jinping. Todavia, estou em crer que o último, depois de ter assistido a um ataque de baba digno de um perdigueiro, não voltará tão cedo a Portugal.

 

Perguntarão... Então mas num mestrado ou até mesmo numa pós-graduação ainda se leccionam cadeiras de introdução a? Sim! Afinal, se tivermos em conta que uma grande maioria destes cursos são um palanque para académicos e respectivos "especialistas" amigos que encontram na academia uma forma de alpinismo profissional, eu direi que faz sentido. E perguntarão... E os alunos? Os alunos? Em muitos casos só querem o diploma para poderem justificar o trabalho que têm mas para o qual ainda não têm habilitações e outros só querem o diploma - também existem os que querem aprender, como é óbvio, mas em muitos casos não são mais que aquelas equipas de formula 1 que só correm para encher o ego aos que ganham sempre, se não existirem adversários, não existem palmas.

 

E entretanto, tudo isto para? Para dizer que indo contra a minha convicção de que são poucos os cursos pós-graduados em Portugal que merecem a pena, insisti para que um indivíduo com provas dadas e cursos por esse mundo, se inscrevesse numa Universidade, aliás, num daqueles cursos que agora parecem ser desenhados à medida para estrangeiros, até na carteira, uma espécie de "surf & study, we are waiting for you". Quando já se erguem pólos/mamarrachos universitários em frente ao mar e com acesso directo à praia, também não é de estranhar. Uns fazem escolas de elites no meio das montanhas e longe de tudo para preservar alunos e a concentração, nós fazemos na praia, é preciso vencer a concorrência.

 

Um curso em Portugal, numa universidade pública, leccionado em inglês (a mim não me faz diferença, mas...), com o perfil deste indivíduo a encaixar, até porque foram aceites indivíduos estrangeiros sem o curso de base, tudo para correr bem, excepto numa situação - o indivíduo não foi aceite pelo simples facto de não ter entregue a prova de aferição de conhecimentos de inglês a tempo! As regras existem são para se cumprir, mas se assim fosse, até algumas altas patentes daquela instituição não poderiam exercer os cargos que ocupam. Portanto, exclui-se um CV brilhante e uma pessoa com vontade de aprender mais qualquer coisa e que, por sinal, tem um inglês mais perfeito que os próprios "senhores" do curso, ou não tivesse feito parte da sua formação em Londres e trabalhado grande parte da vida em multinacionais, sem esquecer que alguma da formação superior que teve, mesmo fora de Inglaterra, foi em inglês! Aliás, é a mesma pessoa que, num curso de alto nível mundial, foi dispensada da prova de inglês (em Inglaterra!) porque dominava de tal forma a língua que seria uma perda de tempo e dinheiro avaliar a mesma.

 

Conhecendo, e tendo passado por algumas experiências de cobaia para que alguns pudessem auferir mais uns euros, ascender socialmente e profissionalmente e até acederem a determinados cargos em determinadas áreas e instituições... Percebo porque é que a pessoa não terá sido aceite em detrimento de...

 

Na verdade, alguém que recentemente fez uma vigarice criticando (mal) a Fundação para a Ciência e Tecnologia a troco de um café, e deste modo continuou a poder continuar a viajar por esse mundo a estudar porque sim (e com o alto patrocínio da comunicação social portuguesa, não fosse filho de alguém do meio) também atacou o ensino superior em Portugal e em algumas situações com razão, por isso, talvez já seja um padrão. Para os mais curiosos, a verdade é que conseguiu arrecadar os milhares de euros que pediu (não estamos a falar propriamente de alguém carenciado) e a mesma comunicação social que o exaltou, rapidamente deixou "morrer" o tema... Óptimo caso de estudo, não para a cadeira de Introdução à Corrupção, mas para a teórico-prática de "Real Vigarice à Portuguesa".

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