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sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

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16.10.20

Stay away Big brother!


JB

 
  Sobre a proposta do PS.
  Vou usar o texto de hoje como reflexão. Não tenho a opinião completamente formada sobre este assunto.

  Primeiro que tudo, declaro:

-Tenho a app instalada no meu telemóvel.

- Uso máscara mal saio de casa.

- Cumpro os períodos de confinamento obrigatório.

 Vamos supôr que a pandemia começa a piorar rapidamente e se exige ao governo que tome medidas mais eficientes.  O governo conclui que existem muitas pessoas que não estão a respeitar estas 3 medidas e decide torná-las obrigatórias. Alguém consegue discordar dessa necessidade? 
 Eu consigo.

  Não são medidas semelhantes, apesar de terem o mesmo fim. A app que agora querem em alguma medida tornar obrigatória está instalada no telemóvel, recolhe os dados do utilizador, incluindo a sua localização. A máscara é um acessório simples que faz apenas aquilo que se pretende, nem mais, nem menos. Os períodos de confinamento obrigatório são aquilo que o próprio nome indica, são um mal necessário que prejudicam quase toda a gente, incluindo o próprio governo.

  A minha lógica para fazer a distinção sobre aquilo que considero aceitável -ou não- o estado obrigar é a seguinte: (diga-me se concorda)

  Vamos imaginar agora que estas medidas se tornavam obrigatórias. O Covid era domado e finalmente derrotado. Existiam eleições e por algum motivo, o Chega de André Ventura ganhava. Continuando o esforço de imaginação vamos supor ainda que, pouco tempo depois de ser eleito, a Acácia (coelha de estimação de André Ventura https://youtu.be/HlTExVtG7Rg ) tinha um problema grave de saúde e o actual líder do Chega tinha que se retirar prematuramente para cuidar dela. Para o subsitituir, Maria Vieira e Mário Machado dão um passo em frente e em conjunto lideram agora o país. 
  Neste apocalíptico cenário, não haveria grande problema se as máscaras fossem obrigatórias, seria compreensível se ainda existissem períodos de confinamento. Mas, se todos os cidadãos tivessem também uma app, que dizia ao estado os seus dados pessoais, a sua localização passada e em tempo real? E se a polícia pudesse pedir o telemóvel a cada pessoa para saber todas essas informações? Seria impensável e com ramificações potencialmente terríveis. A Maria Vieira a saber onde estavam todos os imigrantes? O Mário Machado a poder identificar e saber onde estavam todas as minorias? Inconcebível.

  Para mim a diferença reside aqui: o tempo muda, muito depressa. Aceitarei a obrigatoriedade da máscara, cumprirei todos os confinamentos. Não aceito a obrigatoriedade da app.   Bem sei que as pessoas dão os dados ao Facebook, ao Instagram e à Uber. Porque não partilhar com o estado? Porque nos exemplos descritos o usurário dá a informação voluntariamente e apaga a aplicação quando quiser. Também não acho que, com esta proposta, Portugal se esteja a transformar numa Coreia do Norte. Acho no entanto que se deve ter muito cuidado com os precedentes que se abrem. 

Informação a mais. Poder a mais. A informação é poder e o poder corrompe... Já devíamos saber.

 

JB

 

 

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