Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

sardinhaSemlata

Um espaço de pensamento livre.

19.11.21

Tempos da escola


JB

   Hoje viajamos no tempo, recuamos quase 30 anos e vamos a Lisboa. O local é simples: um colégio num planalto,  os protagonistas? - uma turma do oitavo ano. Eles eram 26 rapazes entre os 14 e os 15 anos mais conhecidos como: a Perigosa turma B.

 Todos tinham que usar farda, era obrigatório o uniforme e o cabelo bem arranjado, senão... Um aluno mais novo uma vez apareceu com um corte de cabelo mais arrojado, um professor passou por ele nas escadas durante um intervalo, olhou bem para o corte de cabelo e agarrou-o imediatamente, espetou-lhe um sonoro estalo na cara e mandou-o para casa de castigo. Este exemplo serve apenas para descrever o ambiente regrado e disciplinado em que a infame turma B existia.

 A turma B era infame por diversos motivos e perigosos elementos. Não me ficaria bem estar a nomear todos porque muitos são, hoje em dia, membros respeitáveis da sociedade. Mas garanto que todos existiram e são reais, usarei nomes fictícios por motivos óbvios.

 Antes disso porém, convém dizer que na turma B não havia um líder, existiam uma série de personalidades vincadas e criativas que trabalhavam em uníssono para dois objectivos muito simples:

- Maximizar a diversão durante o tempo de escola

- infernizar a vida dos professores (alguns)

 

O primeiro objectivo era mais simples, às vezes nem era preciso chegarem à escola. Num desses dias, há quase trinta anos atrás, era dia de fotografia da escola e todos os alunos tinham que ir ainda mais bem vestidos do que o habitual. Tiago, um dos mais rebeldes da turma estava de blazer e gravata e ainda antes de chegar à escola, quando ia no autocarro estava aborrecido. Decidiu levantar-se, fingir que era um 'picas' da Carris e começar a pedir os bilhetes aos passageiros. Foi tão convincente que ninguém desconfiou dele, e chegou a expulsar dois miúdos de outra escola que estavam no autocarro sem bilhete!

O segundo objectivo era mais difícil, mas não existiam impossíveis para aquela turma. 
 Apenas um único exemplo porque sinto que já me estou a alongar neste texto:

 Num outro desses dias apareceu um professor novo e infelizmente para ele, não caiu nas boas graças da turma. Assim que ele se virou para escrever no quadro. A turma como um todo, com uma coordenação ao nível da equipa olímpica Ucraniana de natação sincronizada e um silêncio absoluto; começa a movimentar as carteiras em direcção ao professor. Quanto mais o professor escrevia no quadro de costas para a sala, mais os alunos se aproximavam em silêncio, como uma leoa que persegue a presa nas ervas altas savana. Quando o professor acabou era tarde demais, já nem tinha espaço para se virar ao contrário, os alunos estavam todos com as mesas e carteiras mesmo em cima dele. Olhou para os alunos, interrogou-os, 'o que se passa? Que é isto?!?'. Ninguém percebeu a pergunta, todos reagiram como se nada se tivesse passado e olharam para o professor na expectativa que continuasse a aula. Saiu furibundo porta fora, 'Vou chamar o diretor, não se admite!'.

 Não adiantou nada, quando o diretor chegou já estava tudo no seu lugar, a disposição da sala normalizada e a única coisa fora do normal era o estado de nervos em que o professor estava. Se fosse um jogo de futebol e o diretor um árbitro  o resultado seria 1-0 para os alunos; hoje não tenho tempo para mais mas a turma B era famosa pelas suas goleadas...

 

 

JB

 

12 comentários

Comentar post