Uma Semana Horribilis…
Filipe Vaz Correia
Uma semana "horribilis" esta que passou...
A minha sogra teve uma crise em casa, devido à sua idade e várias complicações, e a partir daí vivenciei uma aventura inenarrável mas muito comum a tantos Portugueses.
Segunda- Feira a minha sogra foi para o Sams numa ambulância particular, pois entendemos que o tempo de espera no São José era horrível...
A experiência no Sams é que foi tenebrosa com a tentativa de lhe darem alta às 3 da manhã, note-se que a minha sogra não conseguia sequer andar.
Depois disso tivemos três dias em casa com um cenário dantesco, com médicos a entrarem e saírem de casa todos os dias, pessoas a prestarem apoio domiciliário mas isso pouco serve quando encontramos um quadro de demência...
Voltámos ao Hospital, desta vez o São José, e tenho de admitir que mesmo com um tempo de espera acima do indicado, com o avolumado números de pessoas, algo quase inenarrável, a experiência da minha sogra neste hospital foi infinitamente mais aceitável do que no Sams.
Fizeram todos os exames, tentaram todas as soluções e se dispuseram a nos ajudar a encontrar uma solução.
Consegui de forma particular encontrar um lar no centro de Lisboa mas não posso deixar de agradecer às assistentes sociais Marta Salgueiro e Paula Cunha que através da sua insistência e apoio foram essenciais para dar algum alívio a esta situação.
Assim, explicada de forma sucinta esta semana "horribilis", tenho que expressar a minha gratidão ao serviço público, a todos aqueles que fazem tanto com tão pouco, mesmo que esse tanto nos pareça, por vezes, diminuto.
Ao SNS faltam verbas que têm e devem ser alocadas...
Este investimento é fundamental para uma sociedade igualitária e justa.
Os rostos de novos e essencialmente velhos que ali vi, de certeza sem condições para uma ambulância particular, para contratar um lar, para fugir ao descalabro...
Esse pormaior mudou a minha percepção liberal, a minha visão mais economicista do orçamento.
Este texto mais do que um artigo é um desabafo esperando que olhemos para o SNS com mais atenção e sobretudo com mais reenvidicação de melhores condições.
Filipe Vaz Correia